Adrenoleucodistrofia ligada ao X
Informações básicas
A adrenoleucodistrofia – doença hereditária ligada ao cromossomo X – ocorre quando certos tipos degordura chamados de ácidos graxos de cadeia muito longa (VLCAD) não são metabolizados de forma adequada pelo organismo. Ocorre, então, acúmulo (ou depósito) dessas gorduras em diversos órgãos da pessoa com a doença Ácido graxo é o nome dados às diversas partes das gorduras que foram absorvidas e separadas em diferentes tamanhos (cadeias) para serem utilizadas pelo organismo.
A adrenoleucodistrofia apresenta manifestações clínicas diversas, com degeneração neurológica progressiva, afetando também as glândulas suprarrenais (ou adrenais) e os testículos.
No entanto, os sinais e sintomas da doença variam de acordo com o tipo e a idade de início , além de outros fatores ainda pouco compreendidos. A adrenoleucodistrofia pode ser diagnosticada pela suspeita no exame de triagem neonatal, tambémconhecido como “teste do pezinho”. Caso essa suspeita seja confirmada pela realização de l, exames adicionais o tratamento pode ser iniciado em tempo oportuno.
Existem três formas típicas de apresentação da adrenoleucodistrofia:
- Forma cerebral infantil (cALD): meninos com cALD geralmente apresentam sintomas entre os 4 e 10 anos de idade. Normalmente, iniciam com déficit de atenção/hiperatividade e progride rapidamente. A evolução é bastante acelerada, podendo levar ao óbito. Avanços recentes no tratamento têm melhorado o prognóstico
- Adrenomieloneuropatia (AMN): homens com AMN costumam apresentar sintomas a partir dos 20 anos ou mais. A maioria dos pacientes, mas não todos apresenta insuficiência adrenocortical (também conhecida como parte cortical da glândula suprarrenal). Cerca de 10 a 20% desenvolvem lesões graves no cérebro e no sistema nervoso, levando a morte precoce. Mulheres portadoras da mutação no gene em apenas um dos cromossomos também podem manifestar sintomas semelhantes.
- Insuficiência adrenal ou suprarrenal ou doença de Addison:está presente em 90% dos homens com ALD, podendo surgir já aos 6 meses de idade. A doença impede o corpo de lidar com situações de estresse, mas pode ser tratada com reposição diária de corticosteróides com utilização de doses extras em momentos de necessidade. Os sintomas podem aparecer desde a infância até a vida adulta. Apesar de parecer menos grave que as formas neurológicas, é uma condição séria e requer manejo médico adequado. Sem tratamento, pode levar ao coma. A maioria das pessoas com Addison evolui com algum comprometimento neurológico ao longo do tempo.
Mais de 20% das mulheres portadoras apresentam sintomas, geralmente mais tarde do que nos homens, mas com possível gravidade semelhante. Algumas mulheres nunca apresentam sintomas. A insuficiência adrenal não costuma ocorrer em mulheres
Também conhecida como:
- ALD
- X-ALD
- Adrenoleucodistrofia ligada ao X
Tipo de condição:
Erro inato do metabolismo dos ácidos graxos
Frequência:
1 em cada 17.000 indivíduos do sexo masculino na literatura.
Desconhecida no Brasil
Os sinais e sintomas da doença vão depender de cada uma das suas formas podendo variar bastante.
Na forma cerebral infantil incluem: dificuldade para engolir, problemas na visão, perda auditiva, dificuldade para escrever, compreender a fala e interpretar material escrito ou falado, comportamento agressivo, hiperatividade, má coordenação motora, espasmos e alterações no tônus muscular, convulsões, agravamento progressivo da deterioração do sistema nervoso central.
Na adrenomieloneuropatia (AMN) aparecem distúrbios urinários e do trato genital além de rigidez e fraqueza progressivas nas pernas (paraparesia).
Na doença de Addison : diminuição do apetite, escurecimento da pele, vômitos, perda de peso e de massa muscular, fraqueza muscular e hipoglicemia .Se não tratada, pode evoluir para uma situação grave conhecida como crise adrenal.
Pode envolver exames regulares e reposição hormonal. O transplante de medula óssea alogênico (com total compatibilidade entre o doador e o receptor do transplantado) pode interromper a progressão da forma cerebral infantil se a doença for diagnosticada e tratada precocemente.
Outros tratamentos incluem medicamentos para aliviar sintomas como rigidez e convulsões, além de fisioterapia, que pode ajudar a reduzir espasmos e enrijecimento muscular.
Crianças com a forma cerebral infantil da doença (cALD) apresentam deterioração neurológica progressiva. A menos que o transplante de medula óssea seja realizado precocemente, a criança continuará perdendo funções neurológicas. Os melhores resultados são obtidos quando o transplante é feito no momento em que as primeiras alterações cerebrais são detectadas por ressonância magnética, mas antes do surgimento dos sintomas físicos.
Sem o transplante, a maioria das crianças falece antes dos dez anos de idade.
As outras formas de ALD são mais brandas e progridem ao longo de décadas. A AMN pode levar ao óbito precoce devido à deterioração do sistema nervoso, mas a doença de Addison pode ser controlada com exames regulares e tratamento com reposição hormonal.
A adrenoleucodistrofia é causada por alterações no gene do cromossomo X, um dos cromossomos que ajudam a determinar o sexo biológico: XX para feminino e XY para masculino.
Por isso, nem toda mutação que existe no cromossomo X existe também no Y. Quando uma doença é ‘ligada ao cromossomo X’, quer dizer que não existe outro par que possa ‘anular’ a mutação, ou seja: ela pode se manifestar em 25% dos filhos biologicamente masculinos (XY) de um casal.
As crianças biologicamente femininas deste mesmo casal tem 25% de chances de serem portadoras da mutação, 25% de chance de não terem a mutação e 50% de chance de terem a mutação.